Ouvi falar do Leão do Sul pela primeira vez através do meu pai e não foi em uma conversa sobre culinária ou história do Ceará, era um simples comentário sobre um dos maiores prazeres que um cidadão fortalezense poderia ter num dia de semana no meio da tarde. Não precisou falar muito, bastou o nome e a expressão de saudade no rosto dele pra me dar aquela vontade de conhecer o lugar.
Não parece uma pastelaria, nem um boteco, nem uma lanchonete, é um ponto comercial tradicional do centro, estreito e comprido, na Praça do Ferreira, quase na saída da rua Floriano Peixoto, esquina barulhenta e muito movimentada cuja diversidade encanta e ajuda a treinar os sentidos. Naquela calçada vende-se de acarajé a frutas e verduras frescas, sem esquecer das bancas de CDs piratas. De um lado o balcão, do outro uns banquinhos. Nas paredes imagens de um lugar que só é distante dali no tempo. Fotos da Praça do Ferreira, da Praça da Estação e de ruas famosas daquelas que a gente vive escutando o nome mas não sabe bem onde ficam.
Comi um pastel de carne e um caldo de cana, poucas coisas nessa vida combinam tanto como esse casal. Tempero do recheio na medida, massa sequinha, delicioso. O caldo veio gelado, de cana moída na hora, à altura do par. O visual, bem, diria que não há melhor lugar para se comer caldo de cana com pastel do que por ali.
Pela minha avaliação merece um 10, já que sobrou pra mim o papel de generoso pra que a média passe dos 7. No mais torço para que o Leão do Sul continue no mesmo lugar, olhando o resto de Fortaleza envelhecer e guardando na nossa memória momentos realmente importantes como dias de semana no meio da tarde.