Ouvi falar do Leão do Sul pela primeira vez através do meu pai e não foi em uma conversa sobre culinária ou história do Ceará, era um simples comentário sobre um dos maiores prazeres que um cidadão fortalezense poderia ter num dia de semana no meio da tarde. Não precisou falar muito, bastou o nome e a expressão de saudade no rosto dele pra me dar aquela vontade de conhecer o lugar.
Não parece uma pastelaria, nem um boteco, nem uma lanchonete, é um ponto comercial tradicional do centro, estreito e comprido, na Praça do Ferreira, quase na saída da rua Floriano Peixoto, esquina barulhenta e muito movimentada cuja diversidade encanta e ajuda a treinar os sentidos. Naquela calçada vende-se de acarajé a frutas e verduras frescas, sem esquecer das bancas de CDs piratas. De um lado o balcão, do outro uns banquinhos. Nas paredes imagens de um lugar que só é distante dali no tempo. Fotos da Praça do Ferreira, da Praça da Estação e de ruas famosas daquelas que a gente vive escutando o nome mas não sabe bem onde ficam.
Comi um pastel de carne e um caldo de cana, poucas coisas nessa vida combinam tanto como esse casal. Tempero do recheio na medida, massa sequinha, delicioso. O caldo veio gelado, de cana moída na hora, à altura do par. O visual, bem, diria que não há melhor lugar para se comer caldo de cana com pastel do que por ali.
Pela minha avaliação merece um 10, já que sobrou pra mim o papel de generoso pra que a média passe dos 7. No mais torço para que o Leão do Sul continue no mesmo lugar, olhando o resto de Fortaleza envelhecer e guardando na nossa memória momentos realmente importantes como dias de semana no meio da tarde.
kenjiohi disse,
8 08UTC junho 08UTC 2006 às 23:29
Tu és doido? Um 10?
Leibniz dizia: “A única maneira de retificar nossas razões é tornando-as tão tangíveis quanto aquelas da matemática, assim encotraremos os erros a uma passagem dos olhos, e quando houver disputas dentre as pessoas podemos dizer: Então calculemos, sem demora, para saber quem está certo.”
Se você dá um 10 para um lugar como esse, bem sabe que o mesmo conceito deverá ser levado a outros locais e o indíce de comparação torna-se frágil… Não é papel de ninguém deturpar a matemática das discussões, pois elas contrariam um princípio óbvio (não será Leibniz correto?? Pode até não ser, mas me parece coerente.) de que as comparações racionais precisam de um princípio abrangente… É de livre e completa consciência que da próxima vez que formos a algum lugar seu nível de comparação seja este 10? Senão melhor seria não quantificar o que não é racional… mas meramente perceptivo e emocional… shame on you…